A RAAVE – Rede de Atenção a pessoas Afetadas pela Violência de Estado – manifesta veemente repúdio à chacina em curso nos Complexos do Alemão e da Penha, que já é a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, superando a do Jacarezinho em 2021, também comandada por Cláudio Castro. Estamos diante de mais uma grave crise humanitária e institucional no Rio de Janeiro.
Até o momento, o saldo é devastador: 64 pessoas mortas, inúmeros baleados entre civis e policiais, escolas e unidades de saúde fechadas, linhas de ônibus interrompidas, comércios paralisados e moradores impedidos de circular ou trabalhar. Há relatos de invasões de domicílio, veículos e imóveis destruídos, consultas e tratamentos médicos interrompidos, além de milhares de crianças e adultos em intenso sofrimento psíquico.
A violência se estende a outras regiões da cidade, com tiroteios e vias interditadas, produzindo um ambiente de insegurança generalizada e colapso de direitos fundamentais. Tudo isso provocado a partir de uma operação desastrosa.
Segundo informações amplamente divulgadas pela imprensa, a operação é conjunta entre a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Essa composição torna ainda mais grave a situação, pois a instituição que deveria exercer o controle externo da atividade policial (MPRJ) participa diretamente da ação, configurando uma ausência total de controle externo e um alarmante desvio das funções institucionais.
Diante da dimensão das violações, a RAAVE acionou o Ministério Público Federal, o Ministério da Justiça e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, bem como comunicou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), denunciando a operação e solicitando apoio imediato para a interrupção da “operação” e a garantia de proteção à população afetada.
A RAAVE também está à disposição das famílias afetadas para acolhimento, apoio e encaminhamento jurídico e psicossocial. Além disso, reafirma sua atuação permanente na defesa da vida, da dignidade humana e da reconstrução de políticas públicas de cuidado e reparação.
Não há justificativa possível para tamanha barbárie. Nenhuma política de segurança pode se sustentar a partir do derramamento de sangue do povo negro, pobre e favelado. O que ocorre hoje no Rio de Janeiro é inaceitável e exige resposta imediata do Estado brasileiro e da comunidade internacional.
Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2025
RAAVE – Rede de Atenção a pessoas Afetadas pela Violência de Estado
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